O periodo entre guerras, apesar de algumas das fundações da física quântica já estarem estabelecidas, foi extremamente produtivo para a Físicana Alemanha, tanto pelo reconhecimento dos trabalhos de Planck, Einstein e Bohr quanto pelas novas idéias que eliminaram alguns problemas encontrados. Entre 1918 e 1939 De Broglie, Dirac, Pauli e Schrödinger produziram os trabalhos que iriam trazer à realidade o que o Emílio Segre chama de "verdadeira mecânica quântica".
Planck foi agraciado com o Nobel em 1918. Os físicos já tinham visto os trabalhos de Einstein, Bohr e Rutherford. A idéia dos quanta de energia já era trabalhada com certa facilidade na compreensão do corpo negro. O efeito foto-elétrico tinha respondido com o modelo de que a luz era um pacote de energia concentrada num espaço pequeno, que na verdade a radiação eletromagnética é composta por pacotes discretos de energia, e isso deixava a questão das propriedades ondulatórias da luz sem resposta. O átomo semiclássico com órbitas estacionárias proposto por Bohr, apesar de seu problema com relação aos postulados utilizados era um sucesso para explicar o espectro do hidrogênio.
Assim que Hitler assumir o poder, toda a massa de cientistas judeus foi dispensada dos seus trabalhos relacionados com pesquisa e ensino. Por causa dessa medida a Alemanha perdeu imediatamente 15 prêmios Nobel de várias áreas, incluindo Einstein e Schröedinger. Estima-se que 25% da força de pesquisa alemã foi perdida com essa medida.
A fúria nazista era totalmente cega. Fritz Haber, o químico que tanto ajudou a Alemanha na primeira guerra, e tinha até mesmo renegado o Judaísmo, adotando o Cristianismo, foi expulso de sua cadeira no Instituto Kaiser Wilhelm. Ele escreveu uma carta repudiando a atitude de Hitler e dizendo que sempre se sentiu tão alemão quanto qualquer outro. Com certeza o regime sentiu muita falta de Haber durante o avanço aliado. Lise Mitner foi outra pesquisadora judia expulsa. Ela se mostrou essencial no que viria a ser a descoberta da fissão do urânio 285.
No entanto três físicos arianos, Phillip Lenard, Johannes Stark e Pascual Jordan, engrossaramas fileiras nazistas, e não simplesmente continuando suas pesquisas, mas participando ativamente do regime.
Lenard foi laureado com o Nobel em 1905 pelos seus trabalhos com raios catódicos (tubos que podiam incidir feixes em objetos externos). Ele parece ter começado a coletar inimigos bem cedo. Röntgen era o seu maior desafeto. Ele é reconhecido como o descobridor dos raios-X, uma descoberta que Lenard julgava sua. Ele tinha ajudado Röntgen a obter tubos sensíveis o suficiente para a criação dos raios. Seu segundo desafeto era o físico inglês JJ Thomson. Segundo Lenard, Thomson explorou seu trabalho no efeito fotoelétrico sem sua permissão. Ele chegou a denunciar Thomson do seu discurso de aceitação do Nobel! Por essa disputa com Thomson, Lenard nutria um sentimento de ódio não só pelos judeus, mas também pela Inglaterra, expressa inúmeras vezes. Em 22 seu único filho morreu como resultado do tempo de mal nutrição que passou durante a guerra.
Johannes Stark foi outro prêmio Nobel a apoiar o regime nazista. Seu Nobel veio em razão da sua descoberta do efeito Doppler em uma radiação específica e do efeito de campos elétricos nas linhas espectrais. Seu problema com os judeus começou quando Arnold Sommerfeld, segundo ele um membro do círculo Judeu e pró-Semita, conseguiu que um de seus alunos preferidos assumisse uma cadeira em Götingen no lugar dele próprio.
Tanto Stark quanto Lenard pareciam nutrir uma admiração por Einstein no início de suas carreiras. Stark chegou inclusive a se corresponder com Einstein para discutir a idéia da quantização da luz. Lenard cogitou chamar Einstein para assumir uma cadeira em física teórica em Heidelberg.
Entretanto, à medida que o anti-semitismo foi se difundindo pela população ambos começaram a desenvolver a idéia de "física judia". A idéia vinha como uma resposta às interpretações filosóficas que foram atribuídas à teoria especial da relatividade. Paul Dirac chegou a dizer que a teoria era "uma fuga da guerra... Relatividade era um assunto sobre o qual todos se sentiam capazes de comentar de uma maneira filosófica".
Essa idéia era especialmente perigosa para o sistema nazista. Como um sistema baseado no ódio racial podia aceitar qualquer relativização moral? A "Higiene Racial" tinha que ser feita. Ou isso acontecia ou o povo alemão iria sucumbir e ser um eterno escravo do capital judeu e do tratado de Versailles.
Em 1920, em Berlin, um seminário popular foi organizado com o único propósito de atacar a relatividade. Einstein mostrou seu lado polemista e respondeu à altura, chegando inclusive a atacar um tal Mr Weyland que participou do seminário dizendo que ele não parecia ser especialista em nada:
"ele é um doutor? Engenheiro? Político? Eu não conseguir descobrir".
O ataque foi suficiente para inflamar o ódio imortal de Lenard e Stark. Como ambos tinham uma formação fortemente experimental, começaram a relacionar a física teórica com os judeus e especial com a figura de Einstein. Stark destilou seu veneno contra Einstein no seu livro "A Crise Contemporânea na Física Alemã" no qual chegou a um passo de anti-semitismo declarado. Depois da tentativa fracassada de golpe de Hitler, Lenard e Stark publicaram juntamente "O Espírito e a Ciência de Hitler" onde comparavam o futuro Fürher aos grandes gigantes da ciência como Galileu, Kepler, Newton e Faraday. No governo de Hitler, Lenard assumiu o posto da presidência da Sociedade Kaiser Wilhelm e Stark a Fundação de Emergência, ambos órgãos de pesquisa que desfrutavam de fundos suficientes para as pesquisas, ao contrário dos vários outros centros.
A fúria nazista era totalmente cega. Fritz Haber, o químico que tanto ajudou a Alemanha na primeira guerra, e tinha até mesmo renegado o Judaísmo, adotando o Cristianismo, foi expulso de sua cadeira no Instituto Kaiser Wilhelm. Ele escreveu uma carta repudiando a atitude de Hitler e dizendo que sempre se sentiu tão alemão quanto qualquer outro. Com certeza o regime sentiu muita falta de Haber durante o avanço aliado. Lise Mitner foi outra pesquisadora judia expulsa. Ela se mostrou essencial no que viria a ser a descoberta da fissão do urânio 285.
No entanto três físicos arianos, Phillip Lenard, Johannes Stark e Pascual Jordan, engrossaramas fileiras nazistas, e não simplesmente continuando suas pesquisas, mas participando ativamente do regime.
Lenard foi laureado com o Nobel em 1905 pelos seus trabalhos com raios catódicos (tubos que podiam incidir feixes em objetos externos). Ele parece ter começado a coletar inimigos bem cedo. Röntgen era o seu maior desafeto. Ele é reconhecido como o descobridor dos raios-X, uma descoberta que Lenard julgava sua. Ele tinha ajudado Röntgen a obter tubos sensíveis o suficiente para a criação dos raios. Seu segundo desafeto era o físico inglês JJ Thomson. Segundo Lenard, Thomson explorou seu trabalho no efeito fotoelétrico sem sua permissão. Ele chegou a denunciar Thomson do seu discurso de aceitação do Nobel! Por essa disputa com Thomson, Lenard nutria um sentimento de ódio não só pelos judeus, mas também pela Inglaterra, expressa inúmeras vezes. Em 22 seu único filho morreu como resultado do tempo de mal nutrição que passou durante a guerra.
Johannes Stark foi outro prêmio Nobel a apoiar o regime nazista. Seu Nobel veio em razão da sua descoberta do efeito Doppler em uma radiação específica e do efeito de campos elétricos nas linhas espectrais. Seu problema com os judeus começou quando Arnold Sommerfeld, segundo ele um membro do círculo Judeu e pró-Semita, conseguiu que um de seus alunos preferidos assumisse uma cadeira em Götingen no lugar dele próprio.
Tanto Stark quanto Lenard pareciam nutrir uma admiração por Einstein no início de suas carreiras. Stark chegou inclusive a se corresponder com Einstein para discutir a idéia da quantização da luz. Lenard cogitou chamar Einstein para assumir uma cadeira em física teórica em Heidelberg.
Entretanto, à medida que o anti-semitismo foi se difundindo pela população ambos começaram a desenvolver a idéia de "física judia". A idéia vinha como uma resposta às interpretações filosóficas que foram atribuídas à teoria especial da relatividade. Paul Dirac chegou a dizer que a teoria era "uma fuga da guerra... Relatividade era um assunto sobre o qual todos se sentiam capazes de comentar de uma maneira filosófica".
Essa idéia era especialmente perigosa para o sistema nazista. Como um sistema baseado no ódio racial podia aceitar qualquer relativização moral? A "Higiene Racial" tinha que ser feita. Ou isso acontecia ou o povo alemão iria sucumbir e ser um eterno escravo do capital judeu e do tratado de Versailles.
Em 1920, em Berlin, um seminário popular foi organizado com o único propósito de atacar a relatividade. Einstein mostrou seu lado polemista e respondeu à altura, chegando inclusive a atacar um tal Mr Weyland que participou do seminário dizendo que ele não parecia ser especialista em nada:
"ele é um doutor? Engenheiro? Político? Eu não conseguir descobrir".
O ataque foi suficiente para inflamar o ódio imortal de Lenard e Stark. Como ambos tinham uma formação fortemente experimental, começaram a relacionar a física teórica com os judeus e especial com a figura de Einstein. Stark destilou seu veneno contra Einstein no seu livro "A Crise Contemporânea na Física Alemã" no qual chegou a um passo de anti-semitismo declarado. Depois da tentativa fracassada de golpe de Hitler, Lenard e Stark publicaram juntamente "O Espírito e a Ciência de Hitler" onde comparavam o futuro Fürher aos grandes gigantes da ciência como Galileu, Kepler, Newton e Faraday. No governo de Hitler, Lenard assumiu o posto da presidência da Sociedade Kaiser Wilhelm e Stark a Fundação de Emergência, ambos órgãos de pesquisa que desfrutavam de fundos suficientes para as pesquisas, ao contrário dos vários outros centros.
Pascual Jordan foi um dos poucos físicos teóricos a adotar o nazismo. Ele tinha participado da criação dos operadores de criação e aniquilação de partículas. Juntamente com Heisenberg e Born participou do desenvolvimento da mecânica de matrizes embora não tinha recebido o Nobel.
Sendo ele próprio um entusiasta de Hitler, dizia que o Nazismo era verdadeiro da mesma forma que a segunda lei da termodinâmica era verdade. Segundo ele: "a transformação política já completada em tantos estados europeus, na forma da troca de formas parlamentaristas de governo por métodos autoritários e ditatoriais não é uma mera modernização do aparato do governo; mas sim a erupção de uma reconstrução revolucionária de todo o nosso pensamento, valores e ações, gradualmente abrangendo todas as áreas da vida e da cultura". Segundo ele, o nazismo iria afundar o Iluminismo, tirando o foco do indivíduo.
Werner Heisenberg constitui a maior incógnita entre todos os pesquisadores alemães de destaque. Heisenberg recebeu o prêmio Nobel de 1932 segundo a própria academia "pela criação da mecânica quântica". O seu trabalho com a mecânica não comutativa de matrizes mudou pra sempre a história da Física. Sem dúvida Heisenberg e Schröedinger eram os maiores expoentes da física alemã na época da guerra.
Em Agosto de 1934, logo depois da morte Hindemburg, Hitler anunciou a sua intenção de combinar as funções de chanceler e a presidência. Stark organizou um manifesto de lealdade a Hitler e tentou coletar assinaturas dos prêmios Nobel da Alemanha. Heisenberg, Laue, Planck e Nerst recusaram dizendo que ciência e política não têm nada a ver um com o outro.
O que pode parecer uma atitude positiva, na verdade mostra uma das piores idéias nutridas por qualquer ser social. Se ciência não tem a ver com política, fica difícil dizer o que tem. No caso da bomba atômica nazista é fácil ver a conexão, mas o projeto ainda não tinha sido iniciado. Heisenberg através desse acontecimento está dizendo que sua opção de ficar na Alemanha foi feita não porque era nazista, mas porque era um ser não-político, acreditando inocente ou indolentemente que tal ser existe. Com o passar do tempo o seu nacionalismo fica claro. Essa parece ser a sua única característica política clara, mas veja que ele não entende essa característica com política mas sim como uma qualidade moral. Aliás, essa foi uma herança preciosa para os nazistas. Enquanto o cristianismo alemão tinha virado um simples conjunto de regras morais, a primeira guerra contribuiu para a modificação da virtude no patriotismo, deturpando e explorando o sentimento dos alemães pela sua terra natal. Heisenberg, não via a Alemanha como um país como outro
qualquer, mas sim como o "seu" país, pelo qual deveria se sacrificar.
Outra característica de Heisenberg era a sua capacidade de se imergir no trabalho, esquecendo das conseqüências do mesmo. Em uma carta escrita à sua mãe em 34, Heisenberg diz que "o mundo lá fora está realmente feio, mas o trabalho é lindo". Ele estava totalmente imerso nas suas pesquisas e aparentemente queria ficar assim.
Heisenberg nutria uma declarada admiração por Einstein e pelo seu trabalho. Como se isso não fosse suficiente, o seu trabalho sobre a mecânica quântica cheirava tanto a Stark quanto a Lenard como "física judia" e foi exatamente assim que eles o classificaram. Mais tarde o chamaram de "judeu branco" e "amigo de Einstein". Por volta de 1935, Heisenberg já sentia claramente o quão perigosa era a sua posição. E resolveu se defender. Através de sua mãe, Heisenberg conseguiu chegar a Heinrich Himmler, comandante da SS. Himmler acabou iniciando um processo de investigação aonde chegou a interrogar Heisenberg nos porões do quartel general da SS. Em 1939 Himmler completou as investigações e escreveu para o Ministro da Educação dizendo que Heisenberg era um acadêmico não-político e incapaz de causar problemas. Segundo Himmler, para Heisenberg "a física teórica era simplesmente uma hipótese sobre o funcionamento dos experimentos". Com o fim da investigação, Heisenberg voltou às suas pesquisas.
Sendo ele próprio um entusiasta de Hitler, dizia que o Nazismo era verdadeiro da mesma forma que a segunda lei da termodinâmica era verdade. Segundo ele: "a transformação política já completada em tantos estados europeus, na forma da troca de formas parlamentaristas de governo por métodos autoritários e ditatoriais não é uma mera modernização do aparato do governo; mas sim a erupção de uma reconstrução revolucionária de todo o nosso pensamento, valores e ações, gradualmente abrangendo todas as áreas da vida e da cultura". Segundo ele, o nazismo iria afundar o Iluminismo, tirando o foco do indivíduo.
Werner Heisenberg constitui a maior incógnita entre todos os pesquisadores alemães de destaque. Heisenberg recebeu o prêmio Nobel de 1932 segundo a própria academia "pela criação da mecânica quântica". O seu trabalho com a mecânica não comutativa de matrizes mudou pra sempre a história da Física. Sem dúvida Heisenberg e Schröedinger eram os maiores expoentes da física alemã na época da guerra.
Em Agosto de 1934, logo depois da morte Hindemburg, Hitler anunciou a sua intenção de combinar as funções de chanceler e a presidência. Stark organizou um manifesto de lealdade a Hitler e tentou coletar assinaturas dos prêmios Nobel da Alemanha. Heisenberg, Laue, Planck e Nerst recusaram dizendo que ciência e política não têm nada a ver um com o outro.
O que pode parecer uma atitude positiva, na verdade mostra uma das piores idéias nutridas por qualquer ser social. Se ciência não tem a ver com política, fica difícil dizer o que tem. No caso da bomba atômica nazista é fácil ver a conexão, mas o projeto ainda não tinha sido iniciado. Heisenberg através desse acontecimento está dizendo que sua opção de ficar na Alemanha foi feita não porque era nazista, mas porque era um ser não-político, acreditando inocente ou indolentemente que tal ser existe. Com o passar do tempo o seu nacionalismo fica claro. Essa parece ser a sua única característica política clara, mas veja que ele não entende essa característica com política mas sim como uma qualidade moral. Aliás, essa foi uma herança preciosa para os nazistas. Enquanto o cristianismo alemão tinha virado um simples conjunto de regras morais, a primeira guerra contribuiu para a modificação da virtude no patriotismo, deturpando e explorando o sentimento dos alemães pela sua terra natal. Heisenberg, não via a Alemanha como um país como outro
qualquer, mas sim como o "seu" país, pelo qual deveria se sacrificar.
Outra característica de Heisenberg era a sua capacidade de se imergir no trabalho, esquecendo das conseqüências do mesmo. Em uma carta escrita à sua mãe em 34, Heisenberg diz que "o mundo lá fora está realmente feio, mas o trabalho é lindo". Ele estava totalmente imerso nas suas pesquisas e aparentemente queria ficar assim.
Heisenberg nutria uma declarada admiração por Einstein e pelo seu trabalho. Como se isso não fosse suficiente, o seu trabalho sobre a mecânica quântica cheirava tanto a Stark quanto a Lenard como "física judia" e foi exatamente assim que eles o classificaram. Mais tarde o chamaram de "judeu branco" e "amigo de Einstein". Por volta de 1935, Heisenberg já sentia claramente o quão perigosa era a sua posição. E resolveu se defender. Através de sua mãe, Heisenberg conseguiu chegar a Heinrich Himmler, comandante da SS. Himmler acabou iniciando um processo de investigação aonde chegou a interrogar Heisenberg nos porões do quartel general da SS. Em 1939 Himmler completou as investigações e escreveu para o Ministro da Educação dizendo que Heisenberg era um acadêmico não-político e incapaz de causar problemas. Segundo Himmler, para Heisenberg "a física teórica era simplesmente uma hipótese sobre o funcionamento dos experimentos". Com o fim da investigação, Heisenberg voltou às suas pesquisas.
Enquanto isso acontecia, Enrico Fermi desenvolvia suas pesquisas em transmutação bombardeando vários materiais com nêutrons. Um deles, entretanto, o urânio, tinha um subproduto que não podia ser entendido pelas idéias iniciais. Fermi estava lidando com a fissão nuclear. Ida Noddack sugeriu em 34 que o átomo de urânio estaria sofrendo uma divisão, mas ao falar a sua idéia para Otto Hahn ele disse que não poderia comentar o assunto em suas palestras, pois não queria que ela parecesse ridícula. Foi outra mulher, a judia Lise Mitner quem conseguiu relacionar os resultados experimentais com a fórmula E=mc2 de Einstein. O núcleo do átomo do urânio 235 era instável devido à quantidade de cargas positivas presentes no núcleo. Com a colisão de um nêutron o átomo se partia em dois. Nesse processo uma quantidade incrível de energia era libera e só não tinha sido notada porque a amostra utilizada por Fermi não era grande.
Além de energia, o processo podia liberar outros nêutrons. Essa idéia tinha ocorrido a outro cientista judeu, o húngaro Leo Szilard, em 1933, mesmo ano em que ele conseguiu fugir da Alemanha. Ao chegar na Inglaterra, Szilard tentou explicar a idéia de reação em cadeia mas ninguém o ouviu. Em 1934 ele aplicou e conseguiu obter a patente para a fissão nuclear em cadeia. Pouco depois ele acabou cedendo a patente ao governo inglês depois que entendeu o potencial mortal de tal reação.
Até então não se sabia se o urânio poderia produzir tal reação, tudo dependeria de quantos nêutrons são liberados quando ocorresse a fissão. Se pelo menor dois deles fossem produzidos, a reação em cadeia poderia ocorrer.
Preocupado com o assunto, Szilard escreveu para Fermi e para o físico francês Joliot-Curie que eram os líderes dos dois principais grupos de estudo experimental sobre o assunto. Fermi concordou e Joliot-Curie não se comprometeu. Em 18 de Março de 1939 um artigo de Joliot-Curie foi publicado na revista Nature. Nesse artigo ele revelava que em média 2,42 nêutrons eram produzidos a cada fissão. Joliot-Curie disse depois que esperava uma segunda carta de Szilard que acabou nunca chegando, sendo que a primeira carta já era muito clara.
Além de energia, o processo podia liberar outros nêutrons. Essa idéia tinha ocorrido a outro cientista judeu, o húngaro Leo Szilard, em 1933, mesmo ano em que ele conseguiu fugir da Alemanha. Ao chegar na Inglaterra, Szilard tentou explicar a idéia de reação em cadeia mas ninguém o ouviu. Em 1934 ele aplicou e conseguiu obter a patente para a fissão nuclear em cadeia. Pouco depois ele acabou cedendo a patente ao governo inglês depois que entendeu o potencial mortal de tal reação.
Até então não se sabia se o urânio poderia produzir tal reação, tudo dependeria de quantos nêutrons são liberados quando ocorresse a fissão. Se pelo menor dois deles fossem produzidos, a reação em cadeia poderia ocorrer.
Preocupado com o assunto, Szilard escreveu para Fermi e para o físico francês Joliot-Curie que eram os líderes dos dois principais grupos de estudo experimental sobre o assunto. Fermi concordou e Joliot-Curie não se comprometeu. Em 18 de Março de 1939 um artigo de Joliot-Curie foi publicado na revista Nature. Nesse artigo ele revelava que em média 2,42 nêutrons eram produzidos a cada fissão. Joliot-Curie disse depois que esperava uma segunda carta de Szilard que acabou nunca chegando, sendo que a primeira carta já era muito clara.
Lendo o artigo de Joliot-Curie, o físico-químico austríaco Paul Harteck teve a mesma idéia que Szilard. Ele era pesquisador na Universidade de Hamburgo e tinha sofrido, assim como todos os outros cientistas, um duro corte de verbas para as suas pesquisas. Sua solução não demorou muito.
Harteck decidiu submeter à Ordem Alemã de Armas uma carta descrevendo a idéia da bomba.
O que levaria um físico-químico austríaco que se professava não-polítco e não era parte do Partido Nazista a escrever a maquina de guerra alemã? Mesmo após a guerra, Harteck disse que seu único motivo era puramente oportunístico: "naqueles dias na Alemanha nós não tínhamos nenhum apoio para a pesquisa pura... Então tivemos que ir a uma onde se podia conseguir dinheiro. Eu era realista sobre essas coisas. O Departamento da Guerra tinha o dinheiro então fui a até eles"!!!
Adicionando a tudo isso, o The New York Time lançou uma matéria estarrecedora em 30 de Abril de 1939 falando de todas as possibilidades contempladas para a bomba atômica. A atenção alemã foi chamada.
Em 16 de Setembro de 1939 foi dado o inicio ao projeto de bomba atômica nazista quando alguns físicos da Ordem de Armas se reuniram em Berlim. Dez dias depois uma segunda reunião foi realizada, dessa vez contando com a presença de Heisenberg, Hans Geiger, Paul Harteck e Otto Hahn.
Harteck decidiu submeter à Ordem Alemã de Armas uma carta descrevendo a idéia da bomba.
O que levaria um físico-químico austríaco que se professava não-polítco e não era parte do Partido Nazista a escrever a maquina de guerra alemã? Mesmo após a guerra, Harteck disse que seu único motivo era puramente oportunístico: "naqueles dias na Alemanha nós não tínhamos nenhum apoio para a pesquisa pura... Então tivemos que ir a uma onde se podia conseguir dinheiro. Eu era realista sobre essas coisas. O Departamento da Guerra tinha o dinheiro então fui a até eles"!!!
Adicionando a tudo isso, o The New York Time lançou uma matéria estarrecedora em 30 de Abril de 1939 falando de todas as possibilidades contempladas para a bomba atômica. A atenção alemã foi chamada.
Em 16 de Setembro de 1939 foi dado o inicio ao projeto de bomba atômica nazista quando alguns físicos da Ordem de Armas se reuniram em Berlim. Dez dias depois uma segunda reunião foi realizada, dessa vez contando com a presença de Heisenberg, Hans Geiger, Paul Harteck e Otto Hahn.
Porém o projeto da Bomba Atômica Alemã apresentou várias dificuldades entre elas:
- Massa crítica
A massa crítica para uma reação em cadeia é o número de átomos necessários para que os nêutrons produzidos pela reação inicial não saiam do corpo antes de colidirem com outro átomo. Se um átomo bombardeado está rodeado de poucos átomos, é provável que os nêutrons produzidos na fissão venham a escapar da amostra sem causar outra fissão. Com átomos suficientes é possível produzir a reação em cadeia.
A discussão sobre a quantidade de urânio 235 necessária para uma reação em cadeia foi extensa. Bohr chegou a dizer que se precisaria de que uma quantidade tal que não era possível utilizar a bomba por avião, ou seja, teria que transportada por um navio. Entretanto em junho de 42 Heisenberg fez uma palestra sobre os avanços das pesquisas na "máquina de urânio". Quando foi questionado sobre o mínimo de urânio necessário para a reação em cadeia, ele respondeu que era algo como uma bola de futebol, uma quantidade bem próxima à que foi utilizada em Hiroshima, o que leva a acreditar que Heisenberg tinha uma boa idéia sobre esse problema.
- Enriquecimento
Na natureza, o urânio é encontrado em dois isótopos basicamente, o 238 e o 235. O urânio 235 é encontrado em uma porcentagem um pouco menor que 1%. Era necessário separar o urânio 235 do restante. A idéia básica era a centrifugação gasosa repetida utilizando a fórmula de separação de Clusius.
A possibilidade da utilização do plutônio como combustível foi atrapalhada pelo fato de que o cientista responsável pela pesquisa, Fritz Houtermass, estava tentando atrasar o processo de construção da bomba.
- Moderador
A fusão do urânio 235 só acontecia, até onde tinha se observado, com nêutrons lentos, ou seja, com nêutrons com pouca energia, mas quando da fissão os nêutrons emitidos tinham muita energia. Era necessária a diminuição da energia dos mesmos e a idéia de Heisenberg era fazer com que os nêutrons colidissem com outras partículas que não seriam afetadas pela colisão, e o material perfeito para isso era a água pesada, que era um material difícil de ser produzido.
Na verdade essa pesquisa foi um atraso porque o ideal era que os alemães tivessem aprendido a utilizar os nêutrons rápidos.
- Queimar o mundo
Era uma questão recorrente o fato de alguns cientistas temerem a possibilidade de que uma ver iniciada a fissão em cadeia, ela se espalharia pela matéria comum, tamanha a energia liberada. Por incrível que possa parecer, esse medo também era compartilhado pelo Führer. Heisenberg pensava ter provado a improbabilidade desse processo, mas a simples possibilidade de se desenvolver todo projeto e ao chegar-se ao fim se descobrir que a arma não pode ser utilizada não podia ser deixada fora da equação. É dito que Fermi irritou bastante os generais americanos do projeto Manhattan quando eles souberam que Fermi estava conduzindo uma aposta entre os seus companheiros. A aposta era se a bomba quando fosse detonada ia queimar o mundo inteiro ou "só" o estado do Novo México.
- Recursos, experiência e Heisenberg
- Massa crítica
A massa crítica para uma reação em cadeia é o número de átomos necessários para que os nêutrons produzidos pela reação inicial não saiam do corpo antes de colidirem com outro átomo. Se um átomo bombardeado está rodeado de poucos átomos, é provável que os nêutrons produzidos na fissão venham a escapar da amostra sem causar outra fissão. Com átomos suficientes é possível produzir a reação em cadeia.
A discussão sobre a quantidade de urânio 235 necessária para uma reação em cadeia foi extensa. Bohr chegou a dizer que se precisaria de que uma quantidade tal que não era possível utilizar a bomba por avião, ou seja, teria que transportada por um navio. Entretanto em junho de 42 Heisenberg fez uma palestra sobre os avanços das pesquisas na "máquina de urânio". Quando foi questionado sobre o mínimo de urânio necessário para a reação em cadeia, ele respondeu que era algo como uma bola de futebol, uma quantidade bem próxima à que foi utilizada em Hiroshima, o que leva a acreditar que Heisenberg tinha uma boa idéia sobre esse problema.
- Enriquecimento
Na natureza, o urânio é encontrado em dois isótopos basicamente, o 238 e o 235. O urânio 235 é encontrado em uma porcentagem um pouco menor que 1%. Era necessário separar o urânio 235 do restante. A idéia básica era a centrifugação gasosa repetida utilizando a fórmula de separação de Clusius.
A possibilidade da utilização do plutônio como combustível foi atrapalhada pelo fato de que o cientista responsável pela pesquisa, Fritz Houtermass, estava tentando atrasar o processo de construção da bomba.
- Moderador
A fusão do urânio 235 só acontecia, até onde tinha se observado, com nêutrons lentos, ou seja, com nêutrons com pouca energia, mas quando da fissão os nêutrons emitidos tinham muita energia. Era necessária a diminuição da energia dos mesmos e a idéia de Heisenberg era fazer com que os nêutrons colidissem com outras partículas que não seriam afetadas pela colisão, e o material perfeito para isso era a água pesada, que era um material difícil de ser produzido.
Na verdade essa pesquisa foi um atraso porque o ideal era que os alemães tivessem aprendido a utilizar os nêutrons rápidos.
- Queimar o mundo
Era uma questão recorrente o fato de alguns cientistas temerem a possibilidade de que uma ver iniciada a fissão em cadeia, ela se espalharia pela matéria comum, tamanha a energia liberada. Por incrível que possa parecer, esse medo também era compartilhado pelo Führer. Heisenberg pensava ter provado a improbabilidade desse processo, mas a simples possibilidade de se desenvolver todo projeto e ao chegar-se ao fim se descobrir que a arma não pode ser utilizada não podia ser deixada fora da equação. É dito que Fermi irritou bastante os generais americanos do projeto Manhattan quando eles souberam que Fermi estava conduzindo uma aposta entre os seus companheiros. A aposta era se a bomba quando fosse detonada ia queimar o mundo inteiro ou "só" o estado do Novo México.
- Recursos, experiência e Heisenberg
O projeto Manhattan custou algo em torno de 2 ou 3 bilhões de dólares e chegou a envolver150 mil pessoas. A área construída para o projeto era o equivalente a três cidades pequenas. Durante todo o projeto alemão nunca o número de cientistas envolvidos ultrapassou 100. Quando em determinado momento Albert Speers, Ministro de Armamentos e Munições, ofereceu 2 milhões de marcos a serem disponibilizados ao projeto, Heisenberg recusou dizendo que o dinheiro não poderia ser utilizado no presente.
Os motivos para Heisenberg ter recusado os recursos ainda são objeto de discussão. Ele nunca tinha desenvolvido um único projeto experimental, e isso era observado por seus colegas. Harteck chegou a dizer depois da guerra que "foi um péssimo julgamento, é quase inacreditável". Um exemplo da sua insegurança foi que quando citou o fato de a Alemanha não ter nenhum ciclotron, enquanto os EUA tinham sete, Speers sugeriu fazer um maior do que qualquer ciclotron americano. Heisenberg respondeu dizendo que a Alemanha não tinha experiência na construção desses equipamentos, logo tinham que começar com um pequeno.
Além disso, a responsabilidade de aceitar qualquer recurso com certeza recairia sobre ele se o projeto viesse a fracassar. Seu histórico já era contestado, um fracasso em um projeto com uma alocação grande de recursos poderia trazer desconfianças sérias sobre o seu comprometimento com o regime.
Além disso, a responsabilidade de aceitar qualquer recurso com certeza recairia sobre ele se o projeto viesse a fracassar. Seu histórico já era contestado, um fracasso em um projeto com uma alocação grande de recursos poderia trazer desconfianças sérias sobre o seu comprometimento com o regime.
- O contra-ataque
Os aliados iniciaram o bombardeio constante de Berlim em 1943. Os russos estavam avançando e logo a Polônia seria reconquistada. A base industrial do Reich estava ruindo e a vitória dos aliado era discutida abertamente. Vários cientistas mudaram suas famílias das cidades envolvidas com a pesquisa temendo os bombardeios. Logo a única usina de água pesada em poder dos alemães seria conquistada. No verão de 43 Speers já teria desistido de obter a bomba.
- Alsos
O avanço aliado se consolidou e o bombardeiro de Berlin se tornou feroz. Os aliados formaram uma equipe de captura dos cientistas alemães. Sob da coordenação do holandês Samuel Goudsmit o grupo adotou o nome Alsos. Logo depois da invasão da Normandia a primeira missão do grupo foi o laboratório de Joliot-Curie em Paris.
Em Janeiro de 1945 vários físicos do projeto atômico alemão fugiram ou abandonaram os laboratórios do projeto. Heisenberg fugiu para a sua casa em Urfeld viajando 100 milhas de bicicleta. A missão Alsos o capturou no dia 3 de maio.
Os aliados iniciaram o bombardeio constante de Berlim em 1943. Os russos estavam avançando e logo a Polônia seria reconquistada. A base industrial do Reich estava ruindo e a vitória dos aliado era discutida abertamente. Vários cientistas mudaram suas famílias das cidades envolvidas com a pesquisa temendo os bombardeios. Logo a única usina de água pesada em poder dos alemães seria conquistada. No verão de 43 Speers já teria desistido de obter a bomba.
- Alsos
O avanço aliado se consolidou e o bombardeiro de Berlin se tornou feroz. Os aliados formaram uma equipe de captura dos cientistas alemães. Sob da coordenação do holandês Samuel Goudsmit o grupo adotou o nome Alsos. Logo depois da invasão da Normandia a primeira missão do grupo foi o laboratório de Joliot-Curie em Paris.
Em Janeiro de 1945 vários físicos do projeto atômico alemão fugiram ou abandonaram os laboratórios do projeto. Heisenberg fugiu para a sua casa em Urfeld viajando 100 milhas de bicicleta. A missão Alsos o capturou no dia 3 de maio.
Poderiam os alemães terem chegado à bomba antes do fim da guerra?
É muito difícil responder a tal pergunta sem saber quais variáveis podiam ser alteradas.
Segundo Cornwell, os alemães podiam chegar à bomba em 47, mas é difícil pensar num ambiente econômico que sustentasse a guerra esse tempo todo. Uma alocação maior de recursos e pessoas para o projeto da bomba era difícil, tanto pelo preconceito de Sparks com relação à física nuclear como pelo fato de que a Alemanha precisava de gente desenvolvendo os seus mísseis V, os aviões deturbina, o radar e etc.
Heisenberg como líder com certeza foi um empecilho ao programa. Ele não foi receptivo aos os aliados e não parecia interessado em sabotar o governo alemão. Chegou inclusive a visitar Hans Frank, o homem responsável pela morte de pelo menos 14 mil judeus nos guetos da Polônia depois de saber das atrocidades. Em determinada ocasião, Heisenberg se encontrou com Bohr e comentou sobre o projeto da bomba. Esse encontro é motivo de discussão até hoje assim como não se sabe se ele foi um empecilho intencional ou não.
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